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A era de Arsène Wenger



Em Outubro de 1996, um treinador, para muitos desconhecido, chegava ao comando do Arsenal e por lá ficou durante 22 anos. Durante esse período, muitas foram as mudanças que o clube enfrentou, desde jogadores, direcção e até estádio, mas houve um nome que sempre permaneceu: Arsène Wenger

2017/18 foi a última época do treinador francês no comando técnico dos Gunners, uma parceria histórica, mas talvez manchada pelo passado recente do clube. Apesar da última conquista do campeonato ter sido em 2003/04, Wenger foi quem orquestrou os Invencíveis e quem levou o Arsenal à final da Liga dos Campeões em 2006. Foi sempre um treinador polémico que ficará para na história do Arsenal e também do futebol inglês.


A chegada a Londres

Arsène Wenger ainda treinava o Nagoya Grampus quando foi apontado como treinador do Arsenal. O emblema japonês não queria deixar o técnico sair, libertando-o apenas em Setembro de 1996.

Apresentado a 1 de Outubro desse mesmo ano, Wenger admitiu que chegar ao futebol inglês era um sonho tornado realidade, mas a presença do treinador no comando técnico dos Gunners não foi bem vista por todos.

Vários jogadores ficaram perplexos pela opção dos responsáveis do clube em contratar Wenger, confessando mesmo não o conhecer. Mas demorou pouco tempo até o treinador causar impacto no plantel. O técnico mudou a mentalidade e a filosofia da equipa, acabou com o problema do álcool que residia no plantel e preparou os Gunners como uma equipa candidata a vencer a Premier League.


Quebrar o enguiço

Garantido o terceiro lugar na primeira época em Inglaterra, Wenger tinha, pela primeira vez, a oportunidade de orientar a pré-época dos Gunners. Neste período contratou Marc Overmars ao Ajax, resgatou Emmanuel Petit do Mónaco (antigo clube do treinador) e foi buscar um adolescente que jogava no PSG, com o nome de Nicolas Anelka, jogadores que se juntavam a um plantel que já continha Dennis Bergkamp e Patrick Vieira.

O Arsenal partia para a temporada 1997/98 como um dos candidatos ao título, mas o campeonato não começou da melhor forma. Depois da derrota com o Blackburn em Highbury, que os deixou em sexto lugar, Wenger marcou uma reunião urgente com a equipa, onde os jogadores poderam discutir os problemas e apontar o dedo a quem estava a registar um desempenho negativo.

E foi com esta frontalidade que os Gunners deram a volta ao mau momento, não só vencendo a Premier League, algo que o Arsenal não conquistava há cinco anos, como conquistando a dobradinha, ao vencer o Newcastle na final. Wenger tornou-se no primeiro treinador estrangeiro a conquistar esse feito.


Os Invencíveis

Depois de não conseguir ameaçar o Manchester United no campeonato por duas temporadas consecutivas, o Arsenal chegava à época 2001/02 com uma nova imagem. Robert Pires e Fredrik Ljungberg já se tinham afirmado na primeira equipa, com Sol Campbell a reforçar a defesa a custo zero, proveniente dos rivais Tottenham. Mas uma das figuras crescentes do plantel era um avançado francês. Não era Anelka, que tinha rumado para o Real Madrid, mas sim Thierry Henry.

Nessa época, Wenger voltou a conquistar a dobradinha, com a vitória em Old Trafford na penúltima jornada como a cereja no topo do bolo. Os Gunners foram invictos fora de casa e marcaram em todos os jogos que disputaram na Premier League. No entanto, não é esta a época que os fãs do Arsenal se lembram como a melhor da era Wenger.

A temporada 2003/04 ficou marcada pelo desafio proposto por Wenger aos seus jogadores: serem invencíveis. Este feito nunca tinha sido alcançado na Premier League, mas o técnico acreditava que a mistura da qualidade técnica com a capacidade física e mental dos seus jogadores era suficiente para fazer história.

Só Jens Lehmann entrou no plantel para render David Seaman, numa altura em que o Arsenal procurava reduzir custos para pagar o projeto do Emirates Stadium, mantendo as figuras principais.

E foi assim que os Gunners venceram o campeonato sem qualquer derrota, a única vez que este feito foi alcançado na Premier League. Fez-se história em Highbury, mas desde então o Arsenal não conseguiu conquistar mais nenhum campeonato com o treinador francês no comando.


A grande final perdida

Dois anos depois, o técnico levou o Arsenal a uma excelente campanha na Liga dos Campeões, alcançando a final, a primeira do clube na competição. Wenger já tinha liderado os gunners à final da Taça UEFA em 2000, onde perdeu com o Galatasaray no desempate por grandes penalidades.

Já com Cesc Fàbregas na equipa, o Arsenal passou em primeiro na fase de grupos sem qualquer derrota, sofrendo apenas dois golos nas primeiras duas partidas. No caminho para a final, os Gunners não tiveram uma tarefa fácil, com Real Madrid, Juventus e Villarreal como adversários.

Mas esta seria mais uma época em que a equipa de Wenger faria história, uma vez que não sofreu nenhum golo nas rondas a eliminar, tornando-se na única equipa a não sofrer golos em 10 jogos consecutivos na história da competição.

Na final esperava o Barcelona, onde jogava o internacional português Deco. A expulsão madrugadora de Jens Lehmann comprometeu na teoria os Gunners, mas Sol Campbell colocou o Arsenal na frente ainda na primeira parte. Mas a pressão blaugrana acabou por ser demasiada para o emblema inglês.

Os catalães empataram por Samuel Eto’o e completaram a cambalhota no marcador por intermédio de Juliano Belletti. Esta pode ser considerada a derrota que mais marcará a era Wenger no comando técnico do Arsenal, uma vez que não conseguiu ajudar o clube a voltar a este patamar do futebol europeu.


Recordista doméstico

Ao longo dos 22 anos em que Arsène Wenger esteve no comando dos Gunners, o clube mudou de estádio, deixando o histórico Highbury pelo Emirates, e enfrentou algumas dificuldades económicas que o clube e o técnico tiveram que gerir.

Nesse período, o emblema londrino viveu uma época de seca em termos de conquista de troféus, o que levou a alguma contestação dos adeptos. Desde 2013/14, no entanto, o Arsenal começou a levantar-se, mesmo que lentamente, a nível doméstico.

Nas últimas quatro temporadas, os Gunners conquistaram três Taças de Inglaterra, bem como três Supertaças inglesas, acabando assim o legado de Arsène Wenger no Arsenal.

O timoneiro venceu, no total, sete Taças de Inglaterra, o único a conseguir tal feito. Em Inglaterra, conquistou três Ligas inglesas bem como sete Supertaças, para um total de 17 troféus.





Artigo de : zerozero.pt
Adaptado por Arsenal Portugal