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Wenger admite que 22 anos no Arsenal pode ter sido um erro



Arsène Wenger admitiu que permanecer 22 anos no comando técnico do Arsenal pode ter sido o maior erro da sua carreira de treinador.

O francês de 68 anos, que tinha pegado na equipa em Outubro de 1996, saiu em Maio passado depois da conquista de três campeonatos e sete taças de Inglaterra. Wenger tinha mais um ano de contrato mas deixou o clube depois de falhar a qualificação para a Liga dos Campeões pelo segundo ano consecutivo.

Agora, olhando para o tempo que passou no norte de Londres, aponta alguns arrependimentos. Numa larga entrevista à rádio francesa RTL, Wenger considera que o maior erro que cometeu foi ter passado tantos anos no Arsenal.

"Sou uma pessoa que gosta de se mexer, mas gosto também de desafios. Fui por vezes prisioneiro dos meus próprios desafios."

Wenger falou ainda que a sua busca obsessiva pelo sucesso dos Gunners dentro de campo trouxe vários problemas na sua vida pessoal, e foi questionado se esse é o preço a pagar pela formação de jogadores como Thierry Henry ou Patrick Vieira.

"Lamento ter sacrificado tudo o que fiz porque percebo que magoei muitas pessoas ao meu redor. Negligenciei muitas pessoas. Negligenciei a minha família e os amigos mais próximos", admitiu o treinador francês.

"Lá no fundo, um homem obcecado é egoísta na busca daquilo que gosta. Ignora muitas outras coisas. Mas é um sacrifício a fazer, um objectivo a alcançar."

"Frequentemente sou questionado se Thierry Henry ou Patrick Vieira serão bons treinadores no futuro e sempre disse que sim. Têm todas as qualidade necessárias: são inteligentes, sabem muito de futebol, têm um todo conjunto de habilidades e sabem que têm de fazer sacrifícios. É uma obsessão que gira à volta da tua cabeça dia e noite."

"Chegas acordar às 3 horas da manha a pensar na equipa que vais convocar, em táticas, que formação..."

Wenger revelou ainda que declinou por várias vezes a oportunidade de treinar a seleção francesa. Actualmente está analisar se se dedicará ao futebol internacional, algo que deverá ficar decidido "nos próximos meses".

"Sim, tive a oportunidade por várias ocasiões de ser seleccionador francês. Mas sempre tive mais interesse no treino diário. Acho-o muito mais estimulante."

"Essa é uma questão que faço a mim próprio, se devo tornar-me seleccionador nacional. Um treinador de uma seleção faz no máximo 10 jogos por ano. Já num clube podes chegar aos 60. O meu vício é sempre o jogo seguinte."

Olhando ainda para sua carreira no Arsenal, Arsène Wenger aponta a temporada dos 'Invencíveis' em 2003/04 como a sua grande conquista, admitindo que os próprios jogadores estavam cépticos se tal feito seria possível.

"De facto fomos invencíveis durante ano e meio - 49 jogos. É um facto interessante porque quando conquistámos o título em 2002, disse à imprensa que pretendia ser campeão de forma invencível."

"Fui apelidado de pretensioso, arrogante, etc... Perdemos o título no ano seguinte para o Manchester United."

"Questionei os jogadores do porquê de não termos sido campeões. Eles responderam que a culpa era minha e eu perguntei o porquê. Disseram: «coloca muita pressão em nós». Achei isso interessante e disse-lhes que a razão para as minhas declarações é que acreditava realmente nisso. Conclusão, conseguimos e isso prova duas coisas."

"A primeira é que por vezes não colocamos o nível de ambição o suficientemente alto. Não nos atrevemos. Temos medo. Mas devemos apontar o mais alto possível. A segunda coisa é que por vezes plantamos uma semente e temos que esperar que ela cresça."

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